A Diferença Crucial entre o Calvinismo e o Arminianismo
John Piper e outros calvinistas agressivos continuam a martelar na cabeça de seus leitores e ouvintes a respeito da “diferença crucial” entre o calvinismo e o arminianismo. Segundo eles, a salvação é somente pela graça. Alega-se que apenas o calvinismo realmente protege a verdade da salvação somente pela graça, porque todas as alternativas, incluindo o arminianismo, atribuem algum mérito ao pecador por escolher a graça salvadora. Em outras palavras, alega-se que, se a graça salvadora é escolhida livremente e não imposta por Deus incondicional e irresistivelmente, não é realmente a graça sozinha que salva.
Já refutei essa afirmação aqui diversas vezes. Também a refutei em meus escritos, como Arminian Theology: Myths and Realities (IVP) [Teologia Arminiana: Mitos e Realidades (Reflexão)] e Against Calvinism (Zondervan) [Contra o Calvinismo (Reflexão)]. Na verdade, basta muito pouco para refutar essa afirmação. Basta imaginar um mendigo sem-teto, faminto e doente, que é resgatado de sua situação por uma pessoa rica e altruísta, mas precisa aceitar o resgate para se beneficiar dele. Ele, o mendigo, é livre para recusar o resgate. Se ele não recusar, mas permitir ser resgatado, a dádiva da pessoa rica e altruísta não deixa de ser uma dádiva. E o mendigo não tem motivos para reivindicar mérito ou crédito por simplesmente aceitar a dádiva. Qualquer um que não consiga ver a lógica nisso é, na minha opinião, cego para a lógica.
Mas qual é, então, a verdadeira diferença crucial entre o calvinismo e o arminianismo? Ela reside na doutrina de Deus.
Embora, é claro, muitos calvinistas amadores e novatos não saibam disso, o verdadeiro calvinismo inclui a crença de que Deus não apenas salva alguns pecadores incondicional e irresistivelmente, mas também condena muitos pecadores incondicional e irresistivelmente. É claro que os calvinistas apontarão para a bondade e a misericórdia de Deus ao salvar até mesmo alguns, porque todos merecem a condenação. Mas nós, arminianos, insistimos que eles reconheçam que Deus poderia salvar a todos, porque Ele é poderoso o suficiente para fazê-lo.
A questão é: por que Deus não salva a todos quando poderia?
A única resposta oferecida (além de "mistério") é que o principal propósito de Deus na criação e na redenção é manifestar a Sua glória, e a condenação dos pecadores é necessária para a plena manifestação dessa glória. A manifestação da glória de Deus significa revelar todos os Seus atributos sem comprometer nenhum deles (Edwards), incluindo a justiça. A maneira como a justiça eterna e imutável de Deus se manifesta é através da ira e da condenação eterna.
Assim, Deus, que a Bíblia diz ser "amor", condena incondicional e irresistivelmente alguns pecadores, enquanto escolhe arbitrariamente outros para salvar. (A diferença precisa ser arbitrária porque é "incondicional".) Claro, a maioria dos calvinistas não afirmará isso com tanta veemência; muitos até dirão que essa forma de colocar distorce o que eles acreditam. Bem, eu argumento que essa forma de colocar simplesmente expressa o que eles querem dizer com mais clareza e franqueza. "Predestinação única" é uma cortina de fumaça criada para desviar a atenção do fato de que Deus poderia salvar a todos, mas escolhe não fazê-lo. O calvinista R. C. Sproul estava certo ao criticar outros calvinistas que afirmavam que a predestinação é "única" em vez de "dupla".
O arminianismo afirma que Deus quer salvar a todos e providenciou a possibilidade de salvação para todos, mas alguns pecadores rejeitam a oferta divina de perdão, misericórdia e salvação.
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Tradução: Marlon Marques
Link do artigo original em inglês
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