O Calcanhar de Aquiles do Humanismo Secular
Recentemente, um dos meus estimados interlocutores aqui [no blog em inglês] - um intelectual adepto do humanismo secular [pensamento que crê que todas as coisas se baseiam na razão e na ciência, negando o sobrenatural de qualquer religião] - pediu-me que considerasse os argumentos de Jacob Bronowski. Bronowski sustentava que a espécie humana possui valor e dignidade especiais em virtude das capacidades que ela (ou nós) detém, tais como a linguagem complexa, a habilidade de comunicar e transmitir descobertas e ideias ao longo dos séculos e entre diferentes culturas.
Isso foi em resposta ao meu argumento de que o humanismo secular encerra, em seu âmago, um dilema: o de não conseguir estabelecer por que os seres humanos são especiais e merecedores de uma dignidade e de um valor singulares entre as espécies.
Qualquer pessoa que leia o argumento de Bronowski (e o do interlocutor já mencionado) deveria perceber imediatamente o problema central aí contido. SE a ÚNICA razão para o status especial da humanidade - em termos de valor, mérito e dignidade - reside em capacidades como aquelas apontadas por Bronowski (e pela maioria dos outros humanistas seculares), então os seres humanos desprovidos de tais capacidades possuem menos valor, mérito e dignidade do que aqueles que as detêm.
Essa ideia (não o humanismo secular em si, mas o argumento de Bronowski) é exatamente o que estava no cerne e na base da prática do Nacional-Socialismo [Nazismo] de erradicar os "sub-humanos". Não, não estou afirmando que os humanistas seculares defendam isso; o que argumento é que o raciocínio de Bronowski e de outros humanistas seculares conduz inevitavelmente a essa conclusão, ainda que eles próprios a considerem altamente condenável. Surge, então, a pergunta: por que considerar condenável essa conclusão do argumento de Bronowski?
Suponho que uma resposta possível, porém profundamente falha, seria a de que a "humanidade" constitui um todo orgânico, e não apenas um conjunto de indivíduos - algo que já defendi aqui. Contudo, essa visão exige algo além da matéria: uma unidade espiritual que transcenda a dimensão física. De fato, algo sobrenatural (que transcenda a mera natureza).
É por isso que teístas de todas as vertentes rejeitam o humanismo secular - não por ele não abrir espaço para Deus, por si só, mas devido às suas consequências lógicas. Levado às suas últimas consequências lógicas, o humanismo secular só pode sustentar o darwinismo social [teoria que, baseando-se na seleção das espécies em que as espécies que evoluem são as que superam os desafios do tempo, com as espécies mais fortes sobrevivendo, afirmam que os seres humanos mais fracos, mesmo na atualidade, devem ser eliminados de alguma forma] (embora a maioria dos humanistas seculares não seja adepta do darwinismo social).
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Tradução: Marlon Marques
P.S.: Tudo o que está entre colchetes corresponde a acréscimos do tradutor, feitos com o objetivo de facilitar a compreensão do texto por leitores que não estão familiarizados com a terminologia e as expressões teológicas.
Link do artigo original em inglês
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