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Mostrando postagens de julho, 2026

O que é a “Imagem de Deus” no Homem?

Tenho lido um livro relativamente recente sobre o significado do conceito de “imagem de Deus” ("Imago Dei") na teologia cristã. O título é Dignity and Destiny: Humanity in the Image of God  [Dignidade e Destino: Humanidade na Imagem de Deus - sem tradução para o português]; o autor é o teólogo John F. Kilner. A obra foi publicada pela [editora] Eerdmans em 2015. Portanto, sim, cheguei a essa obra com certo atraso. O livro de Kilner tem 402 páginas, incluindo a bibliografia e o índice, sendo 330 páginas de texto propriamente dito. É, portanto, uma obra volumosa e extremamente detalhada. Essa é uma maneira gentil de dizer, talvez, que é prolixa. Além disso, alguns diriam que é controversa, na medida em que tenta derrubar todas as ideias teológicas cristãs tradicionais sobre a imagem de Deus no “homem” (nos seres humanos). Aqui está a “essência” do livro: “Ser à imagem e semelhança de Deus envolve a conexão da humanidade com Deus [...] Também tem a ver com o reflexo de Deus - co...

Afiando a Navalha de Ockham

Ouço ou leio frequentemente sobre a Navalha de Ockham (às vezes grafada como Navalha de Occam) em programas de televisão, filmes, documentários e livros. Na maioria das vezes, o conceito é empregado de forma equivocada ou até mesmo abusiva. As pessoas geralmente o interpretam mal, e mesmo filósofos e cientistas, que deveriam compreender melhor o assunto, frequentemente fazem mau uso dele. A versão popular diz que a Navalha de Ockham significa que a explicação mais simples é sempre a melhor. Diz-se que ela é um pilar da ciência moderna. Guilherme de Ockham foi um frade e teólogo católico romano que viveu na Europa durante os séculos XIII e XIV. Ele nasceu na Inglaterra, mas viajou por toda a Europa. Por rejeitar a autoridade absoluta do papa sobre todos os governantes, inclusive sobre os imperadores, tornou-se alvo da Inquisição [tribunal eclesiástico promovido pela Igreja Católica Romana na Idade Média que investigava, julgava e punia crimes contra a fé católica romana considerados com...

Como Surgiu a Teologia Liberal

Aqui, exponho minha teoria sobre as origens da teologia liberal entre os cristãos, especialmente nos Estados Unidos. Apresento-a de forma mais detalhada e com exemplos em meu livro Against Liberal Theology (Zondervan) [Em português, Contra a Teologia Liberal {CPAD}]. Primeiramente, é claro, preciso definir "teologia liberal". Em sua essência, trata-se de uma teologia sem milagres ou qualquer elemento sobrenatural. Ela assumiu diversas formas ao longo dos últimos 200 anos, mas todas compartilham essa visão fundamentalmente naturalista [que só existe o que é material, negando o sobrenatural ou espiritual] da realidade. Para uma abordagem mais completa sobre a teologia liberal, leia Against Liberal Theology [ Contra a Teologia Liberal ]. Então, como surgiu a teologia liberal? O que a originou? Pelo menos aqui nos Estados Unidos, o movimento unitarista [o unitarismo nega que Jesus é Deus, afirmando que só existe uma pessoa divina, diferente do trinitarianismo, que afirma que a ...

O Calcanhar de Aquiles do Humanismo Secular

Recentemente, um dos meus estimados interlocutores aqui [no blog em inglês] - um intelectual adepto do humanismo secular [pensamento que crê que todas as coisas se baseiam na razão e na ciência, negando o sobrenatural de qualquer religião] - pediu-me que considerasse os argumentos de Jacob Bronowski. Bronowski sustentava que a espécie humana possui valor e dignidade especiais em virtude das capacidades que ela (ou nós) detém, tais como a linguagem complexa, a habilidade de comunicar e transmitir descobertas e ideias ao longo dos séculos e entre diferentes culturas. Isso foi em resposta ao meu argumento de que o humanismo secular encerra, em seu âmago, um dilema: o de não conseguir estabelecer por que os seres humanos são especiais e merecedores de uma dignidade e de um valor singulares entre as espécies. Qualquer pessoa que leia o argumento de Bronowski (e o do interlocutor já mencionado) deveria perceber imediatamente o problema central aí contido. SE a ÚNICA razão para o status espec...

Que Tipo de Cristão Você é?

Quando perguntada que tipo de cristão é, a maioria das pessoas citaria uma denominação. Ou, pelo menos, era assim que as coisas funcionavam. "Católico", "ortodoxo", "luterano", "presbiteriano", "batista", etc. Não é esse o tipo de resposta que se busca aqui. Estou resgatando um costume muito forte - especialmente entre cristãos evangélicos conservadores nos EUA - da época em que eu era jovem.  Meus pais eram pentecostais. Meu pai foi pastor pentecostal por 53 anos. Ele pastoreou apenas duas igrejas durante esse período. Muitos dos meus parentes eram missionários pentecostais, líderes denominacionais e evangelistas. Muitos dos meus parentes que não eram pentecostais pertenciam à Christian Reformed Church [Igreja Cristã Reformada] ou à Church of God [Igreja de Deus] (de Anderson, Indiana [EUA]). As grandes reuniões de família eram interessantes, pois frequentemente incluíam debates teológicos. Mas todos que eu conhecia nesse mundo cristão...

Nada em que Acredito é Irracional

Nada do que acredito é irracional e, portanto, tudo o que acredito é racional.  Acredito em Deus, e minha crença em Deus não é irracional. Visto que Deus existe, nada é literalmente impossível, exceto algo irracional.  Minha crença na ressurreição de Jesus Cristo não é irracional. Logo, portanto, é racional. Se Deus existe, então a ressurreição dos mortos é algo que poderia acontecer. Existem boas razões históricas para acreditar na ressurreição. Argumentos de que ela é impossível (e, portanto, irracional) dependem da inexistência de um Deus capaz de ressuscitar dentre os mortos.  Minha crença na Trindade não é irracional, pois não envolve nenhuma contradição lógica. Isso não significa que eu possa prová-la a um cético [aquele que duvida]; significa que o cético não pode rejeitá-la alegando irracionalidade.  Minha crença na Bíblia como a Palavra de Deus - escrita, inspirada e infalível (perfeita quanto ao seu propósito) - não é irracional. Logo, portanto, é racional....