Que Tipo de Cristão Você é?
Quando perguntada que tipo de cristão é, a maioria das pessoas citaria uma denominação. Ou, pelo menos, era assim que as coisas funcionavam. "Católico", "ortodoxo", "luterano", "presbiteriano", "batista", etc. Não é esse o tipo de resposta que se busca aqui. Estou resgatando um costume muito forte - especialmente entre cristãos evangélicos conservadores nos EUA - da época em que eu era jovem.
Meus pais eram pentecostais. Meu pai foi pastor pentecostal por 53 anos. Ele pastoreou apenas duas igrejas durante esse período. Muitos dos meus parentes eram missionários pentecostais, líderes denominacionais e evangelistas. Muitos dos meus parentes que não eram pentecostais pertenciam à Christian Reformed Church [Igreja Cristã Reformada] ou à Church of God [Igreja de Deus] (de Anderson, Indiana [EUA]). As grandes reuniões de família eram interessantes, pois frequentemente incluíam debates teológicos.
Mas todos que eu conhecia nesse mundo cristão fervoroso compartilhavam essa maneira de identificar pessoas que se diziam cristãs: falso cristão, cristão nominal, cristão carnal, cristão verdadeiro. Todos que conhecíamos e que se diziam cristãos se encaixavam em uma dessas categorias.
Agora, deixe-me esclarecer uma coisa desde o início para evitar alguns mal-entendidos. Nós entendíamos isso como um espectro, e não como um conjunto de categorias rígidas e absolutas. Imagine uma linha contínua, sem divisões que a separem em partes distintas. Em vez disso, ela apresenta transições graduais entre uma parte e outra. Assim, algumas pessoas que diziam ser cristãs eram vistas como "bem... mais ou menos, sabe?" ou como alguém que "está caminhando na direção de se tornar cristão".
Então, vamos agora ao que as categorias significavam e, eu diria, ainda significam. "Falso cristão" era alguém que se dizia cristão, mas certamente não era. Alguns de nós, naquela época e agora, não julgávamos sua salvação; julgávamos seu compromisso com o Caminho de Jesus Cristo - como o entendíamos. Um falso cristão era alguém que afirmava ser cristão, mas que, na realidade, não o era - dadas as suas crenças e/ou o seu modo de vida.
Um "cristão nominal" era alguém que afirmava ser cristão e, em grande parte, acreditava nas coisas certas, mas não demonstrava nenhum compromisso real com o Caminho de Jesus Cristo. Faltavam-lhe quaisquer evidências de ser um seguidor comprometido de Jesus Cristo. O termo "cristão nominal" significava "cristão apenas de nome" ou "cristão praticamente só de nome", mas sem corresponder plenamente à realidade do termo.
Havia muitos falsos cristãos naquilo que considerávamos “seitas” e igrejas liberais. Cristãos nominais abundavam nas “igrejas tradicionais”. Mas também havia alguns cristãos meramente nominais entre nós - na maioria, cônjuges de cristãos verdadeiros que vinham acompanhando seus parceiros em domingos especiais.
Os “cristãos carnais” eram pessoas que identificávamos como verdadeiramente cristãs, mas cujo estilo de vida “esticava os limites” do que considerávamos aceitável para seguidores de Jesus Cristo neste mundo caído e pecaminoso. Eles bebiam álcool - às vezes até a embriaguez -, fumavam, assistiam a filmes ruins ou frequentavam o cinema com assiduidade, tinham muitos amigos não cristãos que não pareciam interessados em evangelizá-los e assim por diante. Nossas igrejas incluíam muitos cristãos carnais; eles simplesmente não podiam ensinar nem servir como diáconos ou presbíteros. Eram considerados “salvos”, mas quase ultrapassando os limites de deixarem de ser salvo.
Os “cristãos verdadeiros” éramos nós, é claro. Bem, por “nós”, queríamos dizer aqueles que estavam comprometidos em viver o Caminho de Jesus Cristo e que criam nas coisas certas. Não considerávamos ninguém - inclusive nós mesmos - perfeito, mas acreditávamos que os cristãos verdadeiros estudavam a Bíblia, mantinham “devoções diárias” e uma vida de oração, falavam sobre Jesus como se o conhecessem como um amigo pessoal, tinham um “testemunho” de conversão, frequentavam a igreja com alegria e não dançavam, não iam ao cinema, não bebiam nem fumavam.
Para não me alongar demais, gostaria de perguntar: você acha que essa forma geral de categorizar as pessoas que se dizem cristãs ainda tem alguma validade e utilidade? Deixando de lado o legalismo da igreja em que fui criado: será que, entre aqueles que se declaram "cristãos", ainda existem falsos cristãos, cristãos nominais, cristãos carnais e cristãos verdadeiros? Não estou perguntando se alguém pode afirmar, de modo absoluto e com autoridade, quem se enquadra em qual categoria, mas sim se essas categorias possuem alguma validade.
Vou encerrar com uma história. Eu fazia parte de uma sociedade teológica composta majoritariamente por cristãos. Para ser membro, era necessário possuir doutorado em teologia ou em uma área afim, além de ter publicado pelo menos um livro sobre o tema. Reuníamo-nos em diversas faculdades, universidades e seminários de uma grande região metropolitana no Meio-Oeste americano. Os membros pertenciam a muitas denominações diferentes. Algumas pessoas de fé judaica participavam, embora eu não me lembre de nenhuma delas ter ocupado um cargo de liderança. Historicamente, tratava-se de um grupo de teólogos cristãos. Reuníamo-nos para ler nossos trabalhos acadêmicos uns para os outros e discuti-los. Todos mantinham a cordialidade, mesmo quando havia fortes divergências.
Ao frequentar e até mesmo servir como presidente da sociedade, percebi que, em minha própria mente, eu me via refletindo sobre as categorias mencionadas e descritas acima. Quais teólogos eram falsos cristãos, cristãos nominais, cristãos carnais, cristãos verdadeiros? Um teólogo afirmava ser cristão, mas era unitarista [que crê que Jesus não é Deus, mas sim uma criatura de Deus]. Eu o considerava um falso cristão. Tive muitas conversas particulares com ele. Outro teólogo era luterano e demonstrava sinais reais de abraçar a fé ortodoxa e histórica, mas bebia muito, a ponto de ficar bêbado nas reuniões. (Algumas eram realizadas em instituições que serviam bebidas alcoólicas. Vi esse teólogo ficar bêbado durante o intervalo da tarde. Ele confrontou um teólogo católico, xingando-o e proferindo palavrões.) Outro teólogo era evangélico, mas amplamente considerado sexualmente promíscuo. Mais tarde, essa suspeita foi confirmada. Possivelmente um cristão carnal? Estaria ele dominado por um vício sexual? Enfim, era assim que eu tendia a vê-lo. Finalmente, havia Donald Bloesch, um teólogo que eu considerava um verdadeiro cristão.
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Tradução: Marlon Marques
P.S.: Tudo o que está entre colchetes corresponde a acréscimos do tradutor, feitos com o objetivo de facilitar a compreensão do texto por leitores que não estão familiarizados com a terminologia e as expressões teológicas.
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